O país acaba de conhecer hoje o seu primeiro Provedor da Justiça. A escolha recaiu sobre o Eng. António Espirito Santo, ex-presidente da Assembleia Nacional. Homem impoluto, de invulgar honestidade intelectual, Espirito Santo, como vulgarmente se lhe conhecemos o nome, ajusta-se ao lugar e, como tal, enquanto cidadão, sinto-me reconfortado, devida e justamente, representado. Felicito-o por esta escolha. Revejo-me plenamente nessa decisão. Estão de parabéns os grupos parlamentares do MPD e do PAICV, por terem chegado a esse acordo quanto a esse nome. Em democracia, em regra e bastas vezes, dizemos que os “consensos existem para serem negociados e acordados”, pois não existem consensos políticos fiáveis, em democracia, sem negociação e aí está um bom exemplo - um boa negociação dos grupos parlamentares, que resultou na escolha de um bom nome, capaz de exercer o cargo de Provedor da Justiça, com rigor, honestidade, isenção, independência e imparcialidade. Desejo longa vida ao Eng. António Espirito Santos e muitos sucessos nas suas novas funções. Bem-haja.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Com devida vénia ao diário online assemana.sapo.cv: "Remessas dos emigrantes continuam a crescer "
"As remessas dos emigrantes cresceram pelo segundo mês consecutivo, tendo atingido no mês de Julho último 1.353,3 milhão de contos, segundo dados provisórios do Banco de Cabo Verde (BCV), noticia o diário online www.assemana.sapo.cv, indicando que "os países de onde vieram as remessas mais expressivas são Portugal e França com 458 mil e 332,5 mil contos, respectivamente"".
A mesma fonte noticia em manchete que dos Estados Unidos, por exemplo, chegaram 185,9 mil contos, mais 20 mil contos do que os 165,5 mil contos remetidos em Junho. Que dos Países Baixos vieram agora 104,4 mil contos, quando em Junho foram apenas 92,2 mil contos. Que os cabo-verdianos em França registam em Julho um dos aumentos mais significativos nas suas remessas: mais de cem mil contos – mandaram 332,5 mil contos, contra 227,3 do mês anterior, confirmando a tendência crescente que se verifica desde o início deste ano. Que os emigrantes que residem em Itália canalizaram para o país 87,6 mil contos e os da Alemanha 12,7 mil contos, que curiosamente foi de Portugal, país que enfrenta uma das piores crises económicas e financeiras na Europa (estando por isso sob programa de assistência financeira internacional), que veio a soma mais expressiva: 458 mil contos. Este valor confirma o crescimento contínuo dos envios de remessas, que estavam em 288,7 mil contos em Maio e 303,8 mil contos em Junho. Que os restantes países – Reino Unido, Suíça, Angola, Luxemburgo e Espanha – também registaram aumento de remessas, mas os montantes situam-se ainda abaixo dos 50 mil contos por país. Os emigrantes originários da Praia foram os mais “generosos”, expedindo para o país no mês de Julho 311,51 mil contos, seguidos dos de São Vicente, que enviaram 259,86 mil contos. Seguem-se os emigrantes de Santa Catarina de Santiago, que enviaram 209,91 mil contos, os de Tarrafal 131,88 mil contos, os de São Nicolau 94,18 mil contos e os do Fogo 73,18 mil contos. Para Santa Cruz foi remetido 59,86 mil contos e para Ribeira Grande 47,83 mil contos. Sal e Boa Vista receberam 39,85 e 39,36 mil contos. Porto Novo, Maio e Brava receberam 36,97 mil, 25,87 mil e 23,19 mil contos, respectivamente. Fim de citação.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Foi com tristeza que recebi a notícia de que a FIFA terá rejeitado o recurso interposto pelo FCF.
Foi com tristeza que recebi a notícia de que a FIFA terá rejeitado o recurso interposto pelo FCF. Pode-se e deve-se continuar com o recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto, mesmo sabendo que, a partida, estará condenado ao fracasso. A nossa condição de sermos um Estado que se funda no direito, assim o exige. Olhemos em frente. O momento é de tristeza para o futebol nacional, porque não se conseguiu concluir o extraordinário trabalho de levar o sucesso até ao fim, perante o esforço de uma geração de jogadores, treinadores e dirigentes que tudo fizeram para que, também no futebol, o nome de Cabo Verde fosse colocado ao mais alto nível, lá onde era impossível pensar que fosse. Por causa de uma pequena falha de interpretação, pagamos o preço e não vamos ao mundial de 2014, quiçá por culpa nossa ou por que não quiseram que lá fossemos, ou simplesmente porque fomos ingénuos: tão pequenos e quão grandes as nossas ambições, perante um mundo competitivo, onde as Nações que se prosperam têm de conhecer bem o chão que pisam. O país inteiro apreendeu a acreditar no impossível: ver Cabo Verde no topo do mundo e representado ao mais alto nível na arena do futebol mundial. De repente a crença transformou-se num mito e a confiança num silêncio, pois que a ilusão de um sonho conheceu a dura realidade, que sussurra baixinho em cada um dos nossos ouvidos. Ainda assim devemos ser solidários com a FCF, pois ser solidário nestas circunstâncias é uma obrigação nacional. Sermos solidários com esses jovens jogadores, treinadores e dirigentes é, em ultima análise, ser solidários com Cabo Verde. Se há dias estivemos na rua a gritar pelos Tubarões azuis, pelos seus extraordinários feitos futebolísticos, hoje, por maioria de razão, não nos devemos “agachar” perante o facto de não termos ido ao mundial de 2014. Manifestemos para com os nossos jogadores a nossa solidariedade, reconhecendo o seu esforço. Devemos sempre ser Cabo Verde no sucesso e no insucesso. O “caminho faz-se caminhando”, segundo a poética de António Machado. Cara levantada! Errar é humano! Só não erra aquele que não faz nada. Não há que ter vergonha dos nossos erros. A vida continua. Não fomos lá desta vez, mas havemos de lá ir, da próxima vez, pois existirão outros milhões de mundiais de futebol, onde, com certeza, Cabo Verde estará presente. Viva os Tubarões azuis! Viva Lúcio Antunes e toda a equipa técnica! Viva a FCF e seu presidente Mário Semedo e Viva Cabo Verde.
sábado, 28 de setembro de 2013
“Texto de suporte à minha intervenção no “Fórum Pensar S. Miguel”. Caracterizar S. Miguel (hoje) após mais década e meia da sua elevação ao concelho – um ponto de vista que importa reter".
(Parte II)
Após mais de uma década e meia da elevação da
freguesia de S. Miguel ao estatuto de município e analisando alguns indicadores
económicos (qualidade de vida, emprego, desigualdades sociais e pobreza do concelho e, ainda, analisando
os indicadores de estabilidade social), pode dizer-se que o balanço é positivo, pelo que devemos homenagear todos aqueles que desde o inicio acreditaram em S. Miguel e apostaram na sua municipalização, separando-o do concelho do Tarrafal. Está a valer a pena o esforço. S. Miguel está
longe de ser o pior concelho de Santiago e do país em matéria de
desenvolvimento socioeconómico e especialmente em matéria de qualidade de vida
da sua população e do capital social, faltando-lhe, no plano
histórico e cultural, que a sua história seja escrita, através da exposição dos
verdadeiros factos e motivos que o possam tornar numa das terras simbólicas e referência cultural e religiosa da
ilha de Santiago e do país, ao que sem complexos devemos reafirmar que: “ amamos o nosso município, porque ele é
também motivo de orgulho para os micaelenses” . Muita coisa já foi feita, mas muito falta fazer, por
isso a inestimável importância deste fórum, sobretudo se pensarmos que através
dele possamos mobilizar os quadros de S. Miguel espalhados, um pouco, por todo o país e pela diáspora, que possam, desta forma, tomar partido, dar a sua opinião e
ajudar S. Miguel na construção de soluções e escolha das melhores opções de politicas para o seu processo de
desenvolvimento.S. Miguel faz parte de uma região marcadamente agropecuária situada na região de Santiago-Norte. E portanto não pode ser
compreendido de forma isolada. S. Miguel é parte desse todo que é a ilha de
Santiago e parte desse todo que é o país e só nesse quadro (e em comparação) deve ser estudado,
questionado e compreendido, porque em S. Miguel existe também esse direito de
produzirmos um pensamento global, para que possamos olha-lo, não de uma
forma isolada, mas a partir de uma perspetiva nacional. Podemos começar por
perguntar que concelho de S.
Miguel temos hoje e que concelho queremos no futuro? Esta é, sem sombras de dúvidas, uma das questões legitimas que este fórum deve colocar aos micaelense. S. Miguel (arcanjo) é nome do concelho,
mas também é nome da nossa freguesia - uma freguesia cujo território é superior
ao território municipal[i], que começa em a achada Laja,
inclui uma parte da ribeira de Saltos; Uma parte dos flamengos, a vila ou
melhor dizendo cidade de Calheta; Veneza, Ponta Verde; Ribeira de S. Miguel;
Pilão-cão; Espinho Branco, Mato Correia, Achada do Monte, Ribeira de Principal,
Chacha, Gon-gon, e Monte Pousada; Uma freguesia/concelho muito especial, único
na ilha de Santiago com três cemitérios: o de Casa Branca; Ponta Verde e
Bolanha, com várias capelas de construções manuelinas, tais como a igreja da
Ribeira de S. Miguel; a capela dos flamengos; Achada do Monte a capela de nossa
Sra. do Socorro (calheta); uma freguesia que possuiu uma larga comunidade da diáspora;
Em termos de quadros, S. Miguel concorre com o concelho de Santa Catarina e
Praia. Tem quadros formados em todas as áreas desde a economia, passando pela
medicina, direito, gestão, matemática, histórias, Geografia, etc etc…S. Miguel é
terra dos “Rebelados” (cuja verdadeira
história deve ser contada), símbolo único da resistência religiosa do país.
S. Miguel alberga o parque natural de Serra Malagueta, o único até então mais
conhecido da ilha. O concelho de São Miguel possui (segundo censo 2010) 15648
habitantes, sendo que 7025 são homens e 8627 mulheres. A população residente é
maioritariamente jovem e a maioria (71,8%) dos habitantes têm menos de 34 anos
de idade. A maioria da sua população, cerca de 73% vive no meio rural e apenas 27%
no meio urbano. É o quinto município mais povoado entre os 9 de Santiago, com
5,7% da população total da ilha. Perdeu cerca de 1% da sua r população nos
últimos anos. É dos municípios da êra da democracia, o
mais antigo. No que concerne os indicadores de satisfação de qualidade de vida,
um estudo feito em Novembro/ Dezembro[ii] de 2012
indica que os resultados conseguidos pelo Concelho após sua elevação ao
município são bastantes favoráveis, embora muita coisa falta fazer: No que toca ao emprego: segundo dados
do INE (2011) ultrapassa os 12% da população ativa do concelho, mas este numero
quando corrigido com o subemprego e empregos sazonais ultrapassam a cifra dos
17%. Acesso ao trabalho remunerado ainda que esporádico (biscates) 44,6%; Formas de gerar rendimentos por trabalho próprio
45,6%; Acesso ao trabalho remunerado regular (emprego) 37,3%. No que toca ao
equipamento social e vida doméstica: Recolha de
lixo doméstico (53,2%) dos respondentes avaliaram positivamente o município;
Vestuário e calçado básico (indispensável) 60% dos respondentes disseram que
não tinham problemas de acesso a vestuários; Alimentos disponíveis, para toda a
família, 55,1% dos respondentes consideravam positivamente satisfeitos; Fogão a
gás/Elétrico em casa 50,6%; WC/ Casa de banho em casa 51,7%; Frigorífico em
casa 48,3%; Eletricidade em Casa 52,2%; Água canalizada em Casa 50,1%; Acesso a
Locais de consumo dos produtos que necessita a preços razoáveis 45,2%;
Manter/ter uma casa onde morar 40,8%. Emprego:
Cuidados de saúde: Acesso a um Médico 50,4%; Acesso a Medicamentos 48,9%; Acesso a exames de
saúde 46,8%; Transportes: Acesso a transportes
dentro da ilha/município 63,1; Acesso a meio de transporte
motorizado próprio 38,4%. A nível de Educação:
Acesso a escola primária 64,6%; Acesso a escola Secundária
55,7%; Acesso a jardim-de-infância ou a local onde possa deixar crianças dos 3
aos 6 anos para poder trabalhar 55,9%; Obter material escolar 53%; Acesso a
creche ou a local onde possa deixar crianças até 3 anos para poder trabalhar
44%; Locais seguros onde deixar crianças e adolescentes depois das aulas 48%¸
Acesso a Formação Profissional 48%;¸ Acesso à Universidade 34%. A nível de segurança: Caminhar na rua durante o dia em segurança 54,9; Segurança das pessoas dentro de casa 52,5%; Segurança dos bens existentes quando a casa está vazia 50,4%; Na
existência de gado manter a Segurança do mesmo 45,6%; Caminhar na rua durante a noite em segurança 50,9. Apoios do Estado/ entidades
não-governamentais: Obter ajudas em alimentos/
medicamentos / vestuário etc por entidades não estatais 36,4
%; Obter ajudas em dinheiro por entidades não estatais 35,6%;
Obter ajudas em medicamentos por parte do Estado 34,3%;
Obter Bolsas de Estudo 32,8%; Obter ajudas em alimentos por parte do Estado 31,0%; Obter ajudas em dinheiro por parte do Estado 33,3%. Esses indicadores suscitam-nos a conclusão de que foi
uma grande conquista do povo de S. Miguel a elevação da sua freguesia a categoria
de município: pode dizer-se que foi uma decisão que valeu mesmo a pena –
podendo dizer-se ainda que pelos indicadores supra-a pontados, que é possível
colocar S. Miguel (dos municípios mais novos), entre os municípios com bons indicadores
de qualidade vida, onde o objetivo do milénio assumido pelo país possa também
ser parcialmente cumpridos, quando comparado com outros municípios,
designadamente os da ilha de Santiago, e mais especificamente quando comparado
com os municípios de Santiago Norte. Do ponto de vista do posicionamento do concelho
de S. Miguel no contexto de desenvolvimento de Santiago-norte, em particular e
da ilha de Santiago, em geral, pode-se perguntar, que função lhe está reservada
no conjunto dos municípios de Santiago-Norte? Que papel esta reservado a S.
Miguel no processo de desenvolvimento de Santiago-Norte e da ilha de Santiago e
do país? Estas são questões que, a meu ver, um Fórum desta dimensão deve procurar
responder. Questões que devem estar alinhadas com a discussão das grandes
questões nacionais, em relação as quais S. Miguel não participar de forma
marginal e/ou desinteressada. Que a economia precisa crescer? Que o
país precisa combater o desemprego, sobretudo nos segmentos mais jovens da
população e que a inovação e o empreendedorismo podem ser o caminho que
forneçam pistas e novos impulsos às iniciativas privadas que por, por seu
turno, possam contribuir para impulsionar o
crescimento e o emprego; Que as barragens de capitação de água tocam no coração
dos cabo-verdianos (recriando a nossa cultura agrícola e a nossa relação com as
terras) e podem proporcionar mudanças profundas nas relações politicas e sociais
no campo, designadamente em Santiago e a nível de S. Miguel, realidade cujo
impacto importa estudar e conhecer, pelo que urge desde logo pensarmos na
melhor forma de distribuição de água para rega, para que a longo prazo possamos
amortizar os investimentos; Que importa integrar os camponeses através de uma
nova estratégia e visão de ordenamento do território no meio rural,
designadamente em, S. Miguel; Que importa se calhar, aí sim, pensarmos num
ordenamento do território com impacto na reorganização do espaço agrário das
ilhas e quiçá numa reforma agrária que confere dimensão às pequenas parcelas de
explorações agrícolas e que permitam o desenvolvimento das pequenas e médias
indústrias derivadas do sector agrícola e áreas conexas, também em S. Miguel
como solução de gestão da economia do município após construção das duas
barragens. Que a construção das barragens constituem boa linha de infraestruturas para o país
e como tal esse esforço deve ser apoiado, para que S. Miguel possa vir a ter as
duas, senão três barragens, já que importa concluir a barragens da ribeira de
S. Miguel (zona de forno), localizada em casa branca, zona de igreja.
[i] Não me parece que S. Miguel deva deixar morrer o dossier de recuperar
parte da sua fronteira à sul, que pertencem hoje ao município de Santa Cruz e
creio de Santa Catarina
[ii] Estudo de
Caracterização Social e Politica, feita pelo Instituto Superior de Gestão e
pela empresa Pitagórica, Estudos e Investigação e Sondagem, SA
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
EU SOU CABO VERDE/SOMOS TODOS CABO VERDE: APOIEMOS A FEDERAÇÃO CABO-VERDIANA DE FUTEBOL!...”
No momento em que tomo conhecimento de que a Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF) depositou recurso junto da FIFA, contestando a decisão deste organismo de futebol mundial, que impede os Tubarões Azuis de participarem no mundial de futebol de 2014 no Brasil, venho exprimir a minha solidariedade para com os jogadores da seleção - todos eles sem exceção – para com o Lúcio Antunes pelo brilhante percurso feito, para com toda equipa técnica e para com todos os membros da Federação Cabo-verdiana de Futebol e, em especial, para com o nosso querido Mário Semedo, atual presidente da FCF.
Momentos destes devem tornar-nos unidos e solidários, fazendo com que gritemos bem alto: “Eu sou Cabo Verde”, “somos todos Cabo Verde”, dando sinal de força, protestando se for o caso, dando benefício de dúvida aos dirigentes da FCF e formulando votos para que levem de vencida esta contenda internacional. Muito difícil,. Sabemos. Mas é imperioso fazê-lo em nome da dignidade e interesse nacionais. Mesmo conhecendo as dificuldades - até mesmo correndo o risco de não merecermos o provimento FIFA, devemos estar ao lado da nossa FCF e dos seus/nossos dirigentes.
Afinal os membros da FCF não cometeram nenhum crime. Antes pelo contrario. A ponto de serem abandonados à sua sorte pelo país. Ninguém com responsabilidades politicas toma posição publica sobre o assunto. Um mutismo confrangedor, revelando o lado pequeno do nosso espírito - um silêncio ensurdecedor. Ninguém fala. Absolutamente ninguém com responsabilidades públicas se pronuncia sobre o que sucedeu ou o que estará a suceder-se com a nossa seleção e Federação Cabo-verdiana de Futebol.
Como é que o país fica se, em ultima análise, a razão estiver, de facto, do lado da Federação? Onde é que ficamos, com esse purismo que mais revela o simplismo, misturado com a mais pequena inveja para com o sucesso dos outros e a sobrançaria com que, muitas vezes, encaramos os assuntos em Cabo Verde, por mais complexos que sejam. Erros destes todos cometem. Custam-nos a todos. Mas não podemos abandonar os nossos. Se existe a mais pequena dúvida, importa que ela seja esclarecida, ao que devemos juntar a nossa voz, à voz da Federação: afinal queremos que a seleção de Cabo Verde esteja ou não presente no mundial de 2014 no Brasil? Merecemos lá estar ou não? A seleção cabo-verdiana foi à Tunísia e venceu por 2,0. O país (incluindo o país politico) esquece desta forma esse feito? Porque razão? Ninguém questiona?
Devemos, sim, levantar a cabeça e sem complexos recusar que Cabo Verde seja humilhado, por decisões que as vezes, "nessas médias internacionais", carecem de objetividade e transparência, e não pode ser nós os Cabo-verdianos (com nosso silencio) a negar o direito legitimo da FCF em apresentar recurso e defender-se, contra decisões que podem ser questionadas e que por que suscitam dúvidas importa serem objeto de recurso e eventualmente serem impugnadas.
Nós somos um pequenos país. Sabemos disso. A FIFA vai com certeza considerar Cabo Verde, não como uma pequena Nação insular de 500 mil habitantes, mas sim como um dos seus membros legitimamente enquadrado por lei e pelo direito internacionais. Sabemos que somos um pequeno país, mas, “somos todos Cabo Verde”, nos momentos de alegria, e nos momentos de tristeza. Nos momentos bons e nos momentos menos bons. “Eu sou Cabo Verde” e somos todos Cabo Verde. Viva os Tubarões azuis! Viva a Federação Cabo-verdiana de Futebol e viva Cabo Verde.
Devemos, sim, levantar a cabeça e sem complexos recusar que Cabo Verde seja humilhado, por decisões que as vezes, "nessas médias internacionais", carecem de objetividade e transparência, e não pode ser nós os Cabo-verdianos (com nosso silencio) a negar o direito legitimo da FCF em apresentar recurso e defender-se, contra decisões que podem ser questionadas e que por que suscitam dúvidas importa serem objeto de recurso e eventualmente serem impugnadas.
Nós somos um pequenos país. Sabemos disso. A FIFA vai com certeza considerar Cabo Verde, não como uma pequena Nação insular de 500 mil habitantes, mas sim como um dos seus membros legitimamente enquadrado por lei e pelo direito internacionais. Sabemos que somos um pequeno país, mas, “somos todos Cabo Verde”, nos momentos de alegria, e nos momentos de tristeza. Nos momentos bons e nos momentos menos bons. “Eu sou Cabo Verde” e somos todos Cabo Verde. Viva os Tubarões azuis! Viva a Federação Cabo-verdiana de Futebol e viva Cabo Verde.
domingo, 8 de setembro de 2013
Homenagem à nossa seleção de futebol. Cito Lucio Antunes: "ami nta tchinti feliz di ter nascid cabo-verdianu"
O momento é de felicidade geral: “a mi nta chinti feliz di ter
nascid cabo-verdianu"., cantava Lúcio Antunes na TCV. A seleção de todos nós chegou, viu e venceu a
seleção da Tunísia. Uma das seleções mais prestigiadas do continente africano.
Que lição o país pode/deve tirar desta façanha da nossa seleção de futebol? 1º)
A primeira lição é a de felicidade geral, que vale a pena ariscar sempre e que a
força reside na unidade - a unidade faz a força - e que a pequenez do nosso
país não é cartão-de-visita, mas antes as grandezas que podemos fazer com estas
10 ilhas que gentilmente a providencia divina nos disponibilzou; Que a
solidariedade, a entreajuda e o “adjunta -mon” construído por Lúcio
Antunes e sua equipa é a principal “arma e segredo” da seleção; 2º) Que essa
mesma unidade quando colocada num nível elevado de liderança de grupo de
trabalho, mitiga a “tensão individualista” que convive com cada
um de nós cabo-verdianos, conquanto parte do gene da nossa “tripla complexidade” (de que falam os mais cientes) podendo ser reduzido à inexpressão, quando em
presença de desafios que exijam esforços de todos, como é o caso; 3º) Que o
país precisa ultrapassar a perversa tensão de “subdesenvolvimento” (a não
retransmissão do jogo da seleção pelas televisões nacionais é disso um exemplo
acabado), e assumir-se, definitivamente, a sua condição de país emergente, assumindo
os riscos que decorrem de uma maior exposição internacional, onde o desporto (o futebol) pode desempenhar um papel fundamental. A não assunção dessa realidade tem impedido o país de
dar um passo- em-frente, nesse e em vários outros domínios, à
luz dos esforços empreendidos nesse quase quatro décadas de independência
nacional. A prestação da nossa seleção sinaliza um novo tempo (nesse que poderá representar um salto qualitativo) - que o país pretende
dar, cuja natureza e conteúdo tardam em ser assumido, tanto pela sociedade cabo-verdiana
(no país e na diáspora) como e, sobretudo, por aqueles que detém a responsabilidade de
nos governar; 4º) Que não é possível aceitar a desculpa de que o jogo da
seleção não foi retransmitido por falta de verbas, pois esse jogo pelo seu alto
prestígio e valor comercial é, desde logo, portador de recursos – portanto à
partida financiável. Dizer que o jogo não foi retransmitido por falta de verba
(coisa dita também por ocasião do CAN e só ultrapassável pela genuína
intervenção do Presidente da República), não pode ser aceite como desculpas! - Chega dessas desculpas. A seleção nacional é património da nação. Os recursos para o financiamento da sua atividade podem ser inscritos no OGE, pois a presença da seleção nacional nos mais elevados palcos de competição futebolística mundial prestigia
o país e a nação, por isso há que considera-lo opção de politica (sempre que isso ocorra). À
FCF deveria trabalhar no sentido de assumir comercialmente para o mercado
nacional todos os jogos da seleção (tem de ter fundos para isso). Deter todos
os direitos e revende-los através de concurso público às estações de televisão
nacionais e internacionais que, para o efeito revende esses mesmos direitos às empresas,
no mercado interno ou internacional e com isso mobilizar recursos financeiros. É legítimo exigir-se que o governo assuma
as seleções nacionais (a de futebol e todas as outras nos domínios desportivos) como uma das melhores “armas” da República e elemento
da competitividade externa do país. Empresas
nacionais que ocupam os centros vitais de interesse do país (a banca, as
telecom’s, os hotéis, as seguradoras, as petrolíferas, as energéticas, as
transportadores nacionais marítimas de áreas, as universidades, de entre
outras) têm de ser levadas, pelo governo, a assumir, nesse domínio, suas
responsabilidades sociais e se fôr o caso leva-las a tomar parte na
constituição de um fundo público/privado para o financiamento do desporto
nacional. A ideia parece boa, pois um Fundo de Financiamento Publico/Privado para
apoio do desporto nacional poderá eventualmente ser a solução, pois na arena
das grandes competições mundiais, não há espaço para a mediocridade de espirito e/ou para a projeção dessa mentalidade
assistencialista e rentista que ainda perpassam o nosso país e que nos impede
de dar o passo seguinte. Quando se pretende competir, a palavra mágica é
competir mesmo… ser eficaz, competir à sério e ganhar – pois dos que mais se
falam nessas competições são dos que ganham e o nosso país precisa de gente que
ganha, gente com garra, que se preocupa com o sucesso. Esta seria a nova atitude,
uma atitude bem capitalista (porque envolve capital, o risco e capital humano) e nós em
Cabo Verde precisamos incutir nas pessoas, sobretudo nos jovens, a mentalidade
competitiva capitalista e o futebol pode produzir bons argumentos. A seleção nacional tem vindo a mostrar-nos o melhor caminho! Viva os nossos jogadores; Viva seleção nacional; Viva Lúcio Antunes e
sua equipa; Viva o presidente Mário Semedo; Viva a Federação Nacional de Futebol e Viva Cabo Verde.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Da poética de António Machado,
“Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
viajante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar “
o caminho, e nada mais;
viajante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar “
Caminhante não há caminho, faz-se o caminho ao andar
A "escrita"
Escrever sobre algo implica antes pensar, conhecer e
compreender - esse algo. Num processo de escrita, cada
letra assume uma função. Cada palavra, um pensamento e cada frase uma ideia.
É a arte da escrita. Escrever significa registar algo de forma gráfica, em
signos e sinais compreensíveis pelos outros a quem nos dirigimos,
preferencialmente dizendo coisas que possam ser lidos pelos outros. Escrevo,
pois, para mim e para que eu possa expor ideias. Explicar as coisas e exprimir pensamentos, podendo ser
políticos. No fundo para exprimir a
minha liberdade, através da liberdade de
escrita. Para expor as minhas perceções
sobre a realidade, sobre este ou aquele tema. Sobre a terceira república, por
exemplo. Escrevo para registar as minhas
perceções, sublinho. Escrevo para treinar
a escrita e deixar um “pedaço” do meu
pensamento, num texto alinhado, em qualquer língua, que conheça e domine, em
forma de prosa ou até em forma de poema (se
o poeta me deixar), claro, numa folha de papel, num disco de um computador,
numa pendrive ou em cada letra impressa, a partir de uma máquina de
dactilograr. Escrevo para dizer sim e para dizer não. Escrevo simplesmente para
negar o meu silencio e expor a minha resiliência. E escrevo, como em tudo na vida, e até para não dizer nada. Escrevo em português, por exemplo, ou em outras
tantas línguas, que mal conheço, mas que oiço falar, por este mundo fora, mas
que mal compreendo ainda que registado, em forma de escrita, mas que exista,
porque falado, ainda que por um punhado de comunidades. A escrita impõe: em
primeiro lugar, a existência. Depois o pensamento.
Depois a linguagem. Depois a mensagem e depois a compreensão. Implica utilização de sinais e símbolos. Tão
simples quanto isto: mas importa saber escrever. Escrevo para exprimir ideias.
Para exprimir pensamentos, sublinho, com toda liberdade. Não existe escrita sem
ideias e não se é livre se não se sabe escrever. Uma faculdade que só a nós, seres
humanos, a providência quis dispensar. Logo podemos pensar. Logo podemos
escrever. “Logo podemos existir” Até
pela ordem das coisas, porque podemos ter ideias, porque dominamos o mundo – ou
pretendemos faze-lo como sugere a dialética de Hegel com a sua teoria de
contrários, a tese, a antítese e a
síntese. Da vida e a morte. Da noite
e o dia. Do par e do ímpar. D preto e do branco. Do forte e do fraco. Da luz e da escuridão. Do saber e da ignorância.
Existem muitas formas de exprimir antagonismos, sendo que em quaisquer da formas, expressas - em grafias, em formato de letras que é “uma conjugação de tecnologia de comunicação, historicamente criada e desenvolvida pelas
sociedades humanas. “As vezes, apetece escrever sobre o nada – esse nada do
filósofo - esse nada que escrutina o sábio - e que explica a existência e que
nos diz se existimos ou se não. Escrever sobre “algo” – o algo do desconhecido.
O nada - esse nada que só sábio consegue desvendar, mas que, ao procurar a existência,
traz luz quando procurado e que só a escrita pode descobrir.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Viva a República
De vez em quando apetece dizer: viva a República. Viva o principio de laicidade do Estado. Viva a democracia. Viva a liberdade. Viva a igualdade e viva a fraternidade.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Homenagem a nossa lingua materna: posso não conseguir escrevê-la, mas é inevitável utiliza-la, em nossas casas, na rua, nos “espaços públicos e privados” que se formam, pois através dela facilmente me faço explicar.
Lembro-me ainda da apologia de José Agualusa, escritor e poeta angolano, numa conferência em Bruxelas em
2009, que dizia, por outras palavras, a mesmíssima
coisa que o presidente da República e cito também com a devida vénia: “O
povo cabo-verdiano é um dos poucos povos do mundo (que ele conhecia) com uma
língua oficial e que exprime melodias, cantando noutra língua, numa não
oficial, no caso concreto, na sua língua materna conhecido pelo
nome de “o crioulo”". Foi, sem
dúvida, uma opinião mais ou menos política, a volta de um tema, já de si
polémico entre nós, mas lúcida, que causou, na altura, algum comentário na
plateia, na medida em que foi expressa por uma individualidade estrangeira, rara e genuína e, julgo, sincera e verdadeira de
uma pessoa insuspeita, em relação a tudo o que se possa dizer e escrever sobre
Cabo Verde e sobre as suas "coisas". Uma constatação, aliás, que
esteve em linha com a agenda politica do país, nessa altura, pois em Cabo Verde
aproximava-se o processo de revisão constitucional de 2010, onde a problemática
da oficialização do crioulo, sua tematização publica e oficialização, enquanto língua,
esteve na ordem do dia, tendo sido profundamente discutida, embora mantendo o
desacordo politico, entre as bancadas parlamentares, quanto ao seu reconhecimento
formal, como língua oficial do país, embora o seja na constituição da República.
O presidente da República que é um dos suspeitos de costume, quanto à necessidade de valorização da nossa língua materna e a semelhança do que disse José Agualusa em 2009, mas de outra forma, confirma a tese: para ele através da língua-mãe “vieram expressas as primeiras mornas, coladeiras, funaná e cola sanjôn que nos deleitaram”, expressão pela qual “captamos o mundo, verbalizamos as nossas sensações e perceções e encomendamos a nossa primeira refeição”. Recordo-me que no âmbito do processo de revisão constitucional de 2010, especialistas foram chamados a opinar e debateram-na entre eles. Uns com argumentos contra e outros com argumentos a favor, em relação ao sentido e oportunidade de se tornar o crioulo (a nossa língua materna) língua oficial, ao lado do português, deixando a perspetiva de que, na óptica dos linguistas, língua é cultura e cultura é poder. Nessas discussões havidas, as questões relacionadas com as variantes da língua materna vinham sempre ao de cima, ao lado da necessidade de o Estado criar as condições para a sua escrituração. Pôs-se sempre a questão: que variante do crioulo escolher? Discorreram, como é timbre nesses debates, sobre as vantagens e desvantagens da adoção do “crioulo” como língua oficial. Hoje a sociedade aceita dar mais um passo - adotar o ensino bilingue, com base no ensino em crioulo e em português, experiência oriunda da nossa diáspora. Boa ideia e boa medida porque não vale a pena não assumirmos o crioulo como língua de ensino, quando na prática esse ensino já é bilingue.
A Constituição da República diz no seu Artº 9º, o seguinte: (…) 1. “É língua oficial o Português; 2. O Estado promove as condições para a oficialização da língua materna cabo-verdiana, em paridade com a língua portuguesa; 3. Todos os cidadãos têm o dever de conhecer as línguas oficiais e o direito de usa-las”. A alteração desse articulado constitucional no sentido da oficialização do crioulo foi objeto de muito debate político na revisão de 2010, com o MpD e o PAICV a posicionarem-se, cada um do seu lado, sendo o PAICV abertamente a favor da oficialização e o MPD prudentemente contra, o que não contribuiu para um acordo parlamentar, em sede da revisão, que permitisse adotar a medida e oficializar a nossa língua materna, quedando-se muitas vezes pelo reducionismo sobre as variantes do "crioulo" existente em cada ilha. Mas o processo da oficialização do crioulo é um caminho que tem de se fazer, porque inevitável - pois pode dizer-se que ao exprimir-se em crioulo o cabo-verdiano reduz a tensão individualista que sobre si recai, em detrimento da sua expressão coletiva. Exprimindo-se em crioulo somos mais povo, somos mais nação e somos mais país aqui dentro e na nossa diáspora.
Tanto na parte inicial com os especialistas, nas diferentes audições ao nível da Comissão Eventual, como na sua parte final na plenária, em sede do debate para a alteração do referido artº 9º, deixou-me, cada vez mais, convencido de que não tardará o dia em que o crioulo se tornará língua oficial e formal da nação. Já o é. Falta ser reconhecido como tal: nessa altura, fiquei também convencido, embora tivesse, por altura da votação do artº 9º, votado com o meu grupo parlamentar, de que a oficialização do crioulo era inevitável num futuro próximo. Tornar-nos-ia mais fortes, mais coesos e mais unidos, enquanto povo. A linha de continuidade- a traçabilidade da nossa identidade e da nossa cultura teriam um novo veículo, que sendo popular falta ser reconhecido legalmente - ou a unidade orgânica, comunicativa e linguística do Estado com a nossa diáspora, em diferentes países (dos diferentes mundos) que acolhem a nossa gente, sairiam reforçadas e as suas variantes que concomitam das diferentes ilhas tornariam em fonte do seu enriquecimento.
O reconhecimento do crioulo como língua oficial pode ser feito não apenas a custa da posição que ocupamos no mundo em relação à comunicação global erigida hoje pela nação cabo-verdiana nos diferentes cantos do mundo e não por causa das diferentes "diglossias" adquiridas, em cada momento histórico do país, pelos contactos realizados com outras línguas, especialmente a portuguesa, mas por uma questão, genuinamente política, social, cultural e comunitária, que decorre do seu valor real na projeção da nossa “identidade sociocultural“ coletiva. Mas de 90% da comunicação diária desenvolvida no país é feita em "língua materna", ou crioulo. A língua materna reflete e transporta a carga do interesse vital do país. O crioulo é veículo natural do seu processo de desenvolvimento económico e social, porque envolve toda gente e é fonte da nossa nacionalidade e determinante inequívoco da cabo-verdianidade, pois não se consegue ser Cabo-verdiano sem se apreender a exprimir-se em crioulo, não importando as suas diferentes variantes. O contra-argumentário para se recusar o não reconhecimento da nossa língua materna, como língua oficial passou a ser muito frágil e de difícil sustentação teórica.
A oficialização do crioulo permitiria maior clareza na relação dos cabo-verdianos, com outros povos e culturas, tendo presente, e em consideração, exatamente o facto de sermos Nação diasporizada, onde a exigência do intercâmbio sociocultural, a cedência “dual” e múltipla, a transação e “troca por troca” de elementos da identidade nacional que se formulam entre nós, na nossa relação com outros povos e culturas, que visitamos e que nos visitam, se afirmam como necessariamente vital. Nesse longo processo histórico de afirmação da nação cabo-verdiana no mundo, a oficialização do crioulo, como língua, pode vir a manifestar-se como essencial e determinante, por causa dos “determinantes coletivos” do sucesso individual de cada um de nós, maximé, do sucesso do processo de "integração da nação cabo-verdiana no mundo globalizado", do seu processo de desenvolvimento económico e social e do sucesso do processo de integração das nossas comunidades nos países de acolhimento.
Na minha modestíssima opinião, a comunidade política nacional deveria fazer tudo para que o crioulo fosse adotado, na CRCV, como língua oficial do país, como obrigação moral da classe politica e por causa das vantagens não declináveis, que a oficialização do crioulo trazia ao país, pois, em si, a decisão permitiria que os investigadores tão depressa pusessem mãos-à-obra para tornar a nossa língua materna escrituravel, independentemente da sua posição secundariamente "formal-atual" que hoje ocupa em relação ao português e em relação a certos complexos quantas às diversas variantes existentes, em cada uma das nossas ilhas e a nível da nossa diáspora.
Uma língua, dizem os especialistas, na sua dimensão cultural e social, deve ser facilitadora da comunicação e razão de compreensão comunitária, sendo também fonte da promoção das "verdades idiossincráticas" das comunidades, no fomento da tolerância e paz social, por que engendra e facilita o diálogo e a compreensão entre pessoas e comunidades., entre nós, cada vez, mais necessário, como variável-força, na relação entre pessoas, entre as ilhas e entre o país e a sua diáspora: fosse isso a única razão, ainda assim fazia todo o sentido aprovarmos o crioulo com língua oficial. Aí o crioulo teria, também, um papel fundamental a desempenhar, pelo que pode contribuir para reduzir as dinâmicas conflituantes que grassam na nossa sociedade, especialmente nas camadas mais jovem das nossas populações e permitir que o Estado se erija como líder perfeito na promoção desse diálogo social, porquanto passaria a dispor de um elemento vital, na comunicação que desenvolve com os cidadãos.
A estratégia da oficialização do crioulo deveria, por outro lado, assumir a nossa condição social de realidade cultural bilingue e permitir ensinar o inglês, o francês, o espanhol, o alemão e porque não o "mandarim", nas nossas escolas, do básico ao secundário, passando pelas nossas universidades, de molde a promover um convívio salutar entre o crioulo e várias outras línguas, resolvendo as «diglossias linguísticas que se apontam» e produzindo um tipo de seleção, susceptível de enriquecer o vocabulário do crioulo e reduzir as suas cominações, quando em contacto e diálogo com outras línguas, facilitando a vida ao Estado, que tendo a obrigação constitucional de criar as condições de paridade da língua materna, com a língua portuguesa, utiliza a língua no dialogo politico com os cidadão, embora negando a sua oficialização à nação, adiando o processo e recusando criar as condições para que essa oficialização seja efetivada.
A CRCV adota muitas coisas que, sendo concretizadas, poderiam fomentar a realização plena da constituição e que têm vindo a ser adiadas, ao longo das várias legislaturas, impedindo acordos de regimes, tais como a oficialização do crioulo, já de si o celebre salário mínimo nacional, o provedor da justiça, o tribunal constitucional, o conselho económico-social e ambiental e o conselho das comunidades. Neste sentido, importa reter todas as oportunidades em relação à possibilidade de oficialização do crioulo, para podermos vir a recuperar o tempo perdido, pois se por um lado, a sociedade cabo-verdiana, na sua expressão linguística formal e institucional aceita, como natural, que o português tenha primazia sobre a língua materna cabo-verdiana, por ser a língua «escriturável», que cultural e historicamente nos é mais próxima, por outro lado, a cultura cabo-verdiana parece confirmar, nessa mesma expressão, desta feita popular e politica, a recusa em deixar que a língua portuguesa seja, do ponto de vista social, considerada isoladamente nessa sociedade que é bilingue, negando existir dependência formal entre o português e o crioulo, o que pode ditar a circunstancia de que as duas línguas, podem seguir caminhos autónomos, salvaguardando as necessárias sincronias, a sua relação e a sua complementaridade, não permitindo que a sociedade cabo-verdiana, por hipóteses académico, venha sentir-se forçada, no futuro, a colocar outra língua estrangeira a ocupar a posição atual que o português ocupa em Cabo Verde.
Pode concluir-se, dizendo que existe uma "corelação positiva" entre a língua portuguesa e o crioulo, que tornaria inevitável a necessidade da sua oficialização, sem a qual, alias, não se conseguirá produzir quaisquer garantias futuras de que o português não venha a perder a sua atual posição ao nível da sociedade cabo-verdiana, em relação a outras línguas estrangeiras. Numa palavra: parece dual, mas ao se oficializar o crioulo, protege-se, na minha opinião, o português e a sua primazia em relação às demais línguas estrageiras ensinadas hoje e no futuro nas nossas escolas. O desafio é, não obstante, ingente, pois nos obriga a optar e pode estar na forma como gerimos a disputa das posições existentes entre as duas línguas, designadamente no concernente a primazia de uma, em relação a outra, facto que confirma a opinião dos especialistas de que, sem tomarmos a devida consciência desse facto, mantendo tal qual ela se configura hoje, a expressão relacional das duas línguas na sociedade cabo-verdiana fica diminuída, porque não se complementam, não trocam elementos entre si e continuariam a haver disputas de posições entre as mesmas, quando a dialética poderia ser a de interdependência e complementaridade, para que o Cabo-verdiano possa também exprimir-se, quando canta, também em português.
Ao se recusar a oficialização do crioulo, incorre-se num erro de cálculo em relação ao futuro, pois não estamos a contribuir para a redução de um risco geracional implícito existente hoje, que parece grassar-se no nosso sistema educativo de que, a um certo nível, nas nossas escolas, os professores, por dificuldades técnicas, ensinem línguas estrangeiras em crioulo, designadamente o português que é nossa língua oficial, fazendo com que curiosamente o português ficasse formalmente a depender-se do crioulo. É evidente que essa dependência fragiliza social e politicamente o português, sendo também geradora de múltiplos complexos. É, a meu ver, nessa relação de dependência que se situa o problema central, porque demonstra que decorridos quase três décadas após a independência do país, o português, caracterizado, na altura e politicamente, como língua do colonizador, portanto de opressão politica, que teve de ser inevitavelmente assumido como língua oficial do país, posiciona-se, na memória coletiva, como realidade cultural a combater, fazendo esquecer-se que em português também nos afirmamos como nação e como Cabo-verdianos. Aparentemente ao percorrermos as comunidades cabo-verdianas na diáspora, verificamos que as mesmas, na sua vivência diária, entre os seus membros, exprimem-se em crioulo, parecendo existir, mesmo, uma barreira que se torna mais difícil de se transpor pela língua portuguesa, fazendo com que o crioulo se afirme, em certas circunstancias e ironicamente como língua de resistência cultural, negando concomitantemente a presença da língua portuguesa, quando na verdade não é isso que acontece, embora gerando espaços culturais fechados (realidade que são visíveis na nossa diáspora), dificultando o sucesso de integração das nossas comunidades nos países de acolhimento, porque reduz a expressão comunicacional entre os nossos emigrantes e os cidadãos de países de acolhimento, sobretudo os não lusófonos, quando a língua portuguesa dá extensão e profundidade a capacidade de comunicação global aos cabo-verdianos.
O presidente da República que é um dos suspeitos de costume, quanto à necessidade de valorização da nossa língua materna e a semelhança do que disse José Agualusa em 2009, mas de outra forma, confirma a tese: para ele através da língua-mãe “vieram expressas as primeiras mornas, coladeiras, funaná e cola sanjôn que nos deleitaram”, expressão pela qual “captamos o mundo, verbalizamos as nossas sensações e perceções e encomendamos a nossa primeira refeição”. Recordo-me que no âmbito do processo de revisão constitucional de 2010, especialistas foram chamados a opinar e debateram-na entre eles. Uns com argumentos contra e outros com argumentos a favor, em relação ao sentido e oportunidade de se tornar o crioulo (a nossa língua materna) língua oficial, ao lado do português, deixando a perspetiva de que, na óptica dos linguistas, língua é cultura e cultura é poder. Nessas discussões havidas, as questões relacionadas com as variantes da língua materna vinham sempre ao de cima, ao lado da necessidade de o Estado criar as condições para a sua escrituração. Pôs-se sempre a questão: que variante do crioulo escolher? Discorreram, como é timbre nesses debates, sobre as vantagens e desvantagens da adoção do “crioulo” como língua oficial. Hoje a sociedade aceita dar mais um passo - adotar o ensino bilingue, com base no ensino em crioulo e em português, experiência oriunda da nossa diáspora. Boa ideia e boa medida porque não vale a pena não assumirmos o crioulo como língua de ensino, quando na prática esse ensino já é bilingue.
A Constituição da República diz no seu Artº 9º, o seguinte: (…) 1. “É língua oficial o Português; 2. O Estado promove as condições para a oficialização da língua materna cabo-verdiana, em paridade com a língua portuguesa; 3. Todos os cidadãos têm o dever de conhecer as línguas oficiais e o direito de usa-las”. A alteração desse articulado constitucional no sentido da oficialização do crioulo foi objeto de muito debate político na revisão de 2010, com o MpD e o PAICV a posicionarem-se, cada um do seu lado, sendo o PAICV abertamente a favor da oficialização e o MPD prudentemente contra, o que não contribuiu para um acordo parlamentar, em sede da revisão, que permitisse adotar a medida e oficializar a nossa língua materna, quedando-se muitas vezes pelo reducionismo sobre as variantes do "crioulo" existente em cada ilha. Mas o processo da oficialização do crioulo é um caminho que tem de se fazer, porque inevitável - pois pode dizer-se que ao exprimir-se em crioulo o cabo-verdiano reduz a tensão individualista que sobre si recai, em detrimento da sua expressão coletiva. Exprimindo-se em crioulo somos mais povo, somos mais nação e somos mais país aqui dentro e na nossa diáspora.
Tanto na parte inicial com os especialistas, nas diferentes audições ao nível da Comissão Eventual, como na sua parte final na plenária, em sede do debate para a alteração do referido artº 9º, deixou-me, cada vez mais, convencido de que não tardará o dia em que o crioulo se tornará língua oficial e formal da nação. Já o é. Falta ser reconhecido como tal: nessa altura, fiquei também convencido, embora tivesse, por altura da votação do artº 9º, votado com o meu grupo parlamentar, de que a oficialização do crioulo era inevitável num futuro próximo. Tornar-nos-ia mais fortes, mais coesos e mais unidos, enquanto povo. A linha de continuidade- a traçabilidade da nossa identidade e da nossa cultura teriam um novo veículo, que sendo popular falta ser reconhecido legalmente - ou a unidade orgânica, comunicativa e linguística do Estado com a nossa diáspora, em diferentes países (dos diferentes mundos) que acolhem a nossa gente, sairiam reforçadas e as suas variantes que concomitam das diferentes ilhas tornariam em fonte do seu enriquecimento.
O reconhecimento do crioulo como língua oficial pode ser feito não apenas a custa da posição que ocupamos no mundo em relação à comunicação global erigida hoje pela nação cabo-verdiana nos diferentes cantos do mundo e não por causa das diferentes "diglossias" adquiridas, em cada momento histórico do país, pelos contactos realizados com outras línguas, especialmente a portuguesa, mas por uma questão, genuinamente política, social, cultural e comunitária, que decorre do seu valor real na projeção da nossa “identidade sociocultural“ coletiva. Mas de 90% da comunicação diária desenvolvida no país é feita em "língua materna", ou crioulo. A língua materna reflete e transporta a carga do interesse vital do país. O crioulo é veículo natural do seu processo de desenvolvimento económico e social, porque envolve toda gente e é fonte da nossa nacionalidade e determinante inequívoco da cabo-verdianidade, pois não se consegue ser Cabo-verdiano sem se apreender a exprimir-se em crioulo, não importando as suas diferentes variantes. O contra-argumentário para se recusar o não reconhecimento da nossa língua materna, como língua oficial passou a ser muito frágil e de difícil sustentação teórica.
A oficialização do crioulo permitiria maior clareza na relação dos cabo-verdianos, com outros povos e culturas, tendo presente, e em consideração, exatamente o facto de sermos Nação diasporizada, onde a exigência do intercâmbio sociocultural, a cedência “dual” e múltipla, a transação e “troca por troca” de elementos da identidade nacional que se formulam entre nós, na nossa relação com outros povos e culturas, que visitamos e que nos visitam, se afirmam como necessariamente vital. Nesse longo processo histórico de afirmação da nação cabo-verdiana no mundo, a oficialização do crioulo, como língua, pode vir a manifestar-se como essencial e determinante, por causa dos “determinantes coletivos” do sucesso individual de cada um de nós, maximé, do sucesso do processo de "integração da nação cabo-verdiana no mundo globalizado", do seu processo de desenvolvimento económico e social e do sucesso do processo de integração das nossas comunidades nos países de acolhimento.
Na minha modestíssima opinião, a comunidade política nacional deveria fazer tudo para que o crioulo fosse adotado, na CRCV, como língua oficial do país, como obrigação moral da classe politica e por causa das vantagens não declináveis, que a oficialização do crioulo trazia ao país, pois, em si, a decisão permitiria que os investigadores tão depressa pusessem mãos-à-obra para tornar a nossa língua materna escrituravel, independentemente da sua posição secundariamente "formal-atual" que hoje ocupa em relação ao português e em relação a certos complexos quantas às diversas variantes existentes, em cada uma das nossas ilhas e a nível da nossa diáspora.
Uma língua, dizem os especialistas, na sua dimensão cultural e social, deve ser facilitadora da comunicação e razão de compreensão comunitária, sendo também fonte da promoção das "verdades idiossincráticas" das comunidades, no fomento da tolerância e paz social, por que engendra e facilita o diálogo e a compreensão entre pessoas e comunidades., entre nós, cada vez, mais necessário, como variável-força, na relação entre pessoas, entre as ilhas e entre o país e a sua diáspora: fosse isso a única razão, ainda assim fazia todo o sentido aprovarmos o crioulo com língua oficial. Aí o crioulo teria, também, um papel fundamental a desempenhar, pelo que pode contribuir para reduzir as dinâmicas conflituantes que grassam na nossa sociedade, especialmente nas camadas mais jovem das nossas populações e permitir que o Estado se erija como líder perfeito na promoção desse diálogo social, porquanto passaria a dispor de um elemento vital, na comunicação que desenvolve com os cidadãos.
A estratégia da oficialização do crioulo deveria, por outro lado, assumir a nossa condição social de realidade cultural bilingue e permitir ensinar o inglês, o francês, o espanhol, o alemão e porque não o "mandarim", nas nossas escolas, do básico ao secundário, passando pelas nossas universidades, de molde a promover um convívio salutar entre o crioulo e várias outras línguas, resolvendo as «diglossias linguísticas que se apontam» e produzindo um tipo de seleção, susceptível de enriquecer o vocabulário do crioulo e reduzir as suas cominações, quando em contacto e diálogo com outras línguas, facilitando a vida ao Estado, que tendo a obrigação constitucional de criar as condições de paridade da língua materna, com a língua portuguesa, utiliza a língua no dialogo politico com os cidadão, embora negando a sua oficialização à nação, adiando o processo e recusando criar as condições para que essa oficialização seja efetivada.
A CRCV adota muitas coisas que, sendo concretizadas, poderiam fomentar a realização plena da constituição e que têm vindo a ser adiadas, ao longo das várias legislaturas, impedindo acordos de regimes, tais como a oficialização do crioulo, já de si o celebre salário mínimo nacional, o provedor da justiça, o tribunal constitucional, o conselho económico-social e ambiental e o conselho das comunidades. Neste sentido, importa reter todas as oportunidades em relação à possibilidade de oficialização do crioulo, para podermos vir a recuperar o tempo perdido, pois se por um lado, a sociedade cabo-verdiana, na sua expressão linguística formal e institucional aceita, como natural, que o português tenha primazia sobre a língua materna cabo-verdiana, por ser a língua «escriturável», que cultural e historicamente nos é mais próxima, por outro lado, a cultura cabo-verdiana parece confirmar, nessa mesma expressão, desta feita popular e politica, a recusa em deixar que a língua portuguesa seja, do ponto de vista social, considerada isoladamente nessa sociedade que é bilingue, negando existir dependência formal entre o português e o crioulo, o que pode ditar a circunstancia de que as duas línguas, podem seguir caminhos autónomos, salvaguardando as necessárias sincronias, a sua relação e a sua complementaridade, não permitindo que a sociedade cabo-verdiana, por hipóteses académico, venha sentir-se forçada, no futuro, a colocar outra língua estrangeira a ocupar a posição atual que o português ocupa em Cabo Verde.
Pode concluir-se, dizendo que existe uma "corelação positiva" entre a língua portuguesa e o crioulo, que tornaria inevitável a necessidade da sua oficialização, sem a qual, alias, não se conseguirá produzir quaisquer garantias futuras de que o português não venha a perder a sua atual posição ao nível da sociedade cabo-verdiana, em relação a outras línguas estrangeiras. Numa palavra: parece dual, mas ao se oficializar o crioulo, protege-se, na minha opinião, o português e a sua primazia em relação às demais línguas estrageiras ensinadas hoje e no futuro nas nossas escolas. O desafio é, não obstante, ingente, pois nos obriga a optar e pode estar na forma como gerimos a disputa das posições existentes entre as duas línguas, designadamente no concernente a primazia de uma, em relação a outra, facto que confirma a opinião dos especialistas de que, sem tomarmos a devida consciência desse facto, mantendo tal qual ela se configura hoje, a expressão relacional das duas línguas na sociedade cabo-verdiana fica diminuída, porque não se complementam, não trocam elementos entre si e continuariam a haver disputas de posições entre as mesmas, quando a dialética poderia ser a de interdependência e complementaridade, para que o Cabo-verdiano possa também exprimir-se, quando canta, também em português.
Ao se recusar a oficialização do crioulo, incorre-se num erro de cálculo em relação ao futuro, pois não estamos a contribuir para a redução de um risco geracional implícito existente hoje, que parece grassar-se no nosso sistema educativo de que, a um certo nível, nas nossas escolas, os professores, por dificuldades técnicas, ensinem línguas estrangeiras em crioulo, designadamente o português que é nossa língua oficial, fazendo com que curiosamente o português ficasse formalmente a depender-se do crioulo. É evidente que essa dependência fragiliza social e politicamente o português, sendo também geradora de múltiplos complexos. É, a meu ver, nessa relação de dependência que se situa o problema central, porque demonstra que decorridos quase três décadas após a independência do país, o português, caracterizado, na altura e politicamente, como língua do colonizador, portanto de opressão politica, que teve de ser inevitavelmente assumido como língua oficial do país, posiciona-se, na memória coletiva, como realidade cultural a combater, fazendo esquecer-se que em português também nos afirmamos como nação e como Cabo-verdianos. Aparentemente ao percorrermos as comunidades cabo-verdianas na diáspora, verificamos que as mesmas, na sua vivência diária, entre os seus membros, exprimem-se em crioulo, parecendo existir, mesmo, uma barreira que se torna mais difícil de se transpor pela língua portuguesa, fazendo com que o crioulo se afirme, em certas circunstancias e ironicamente como língua de resistência cultural, negando concomitantemente a presença da língua portuguesa, quando na verdade não é isso que acontece, embora gerando espaços culturais fechados (realidade que são visíveis na nossa diáspora), dificultando o sucesso de integração das nossas comunidades nos países de acolhimento, porque reduz a expressão comunicacional entre os nossos emigrantes e os cidadãos de países de acolhimento, sobretudo os não lusófonos, quando a língua portuguesa dá extensão e profundidade a capacidade de comunicação global aos cabo-verdianos.
Este sentimento de pertença e de negação, na nossa expressão cultural diária, sem darmos por isso,
escrutina a aceitação do português, como veículo linguístico único e isolado do povo cabo-verdiano,
especialmente quando está em causa a necessidade de “glissar” expressões da nossa identidade que são manifestamente, e em
especial, alimentadas em crioulo, sobretudo através da música. Deste modo, podemos dizer que teve razão José
Agualusa ao fazer tal afirmação, motivo do título deste apontamento. Poderia não haver Cabo-verdiano algum que fosse contra a oficialização
da sua língua materna e que ao mesmo tempo se posicionasse no sentido contrário
à necessidade de aprofundamento do ensino nas nossas escolas das principais
línguas estrangeiras, consideradas línguas de propensão global ao lado da
língua portuguesa. O Estado que nos representa não pode
deixar de pensar que seria muito bom se as suas instituições assumissem
exprimir-se formalmente em crioulo, na medida em que já o fazem todos os dias,
no contacto com as populações, apesar da exiguidade escritural
da mesma enquanto língua, ao mesmo tempo que fomentaria a utilização do
português, pois que o povo guarda a sua identidade através do crioulo e através
do português e também em outras línguas, quando fora do território nacional.
Os especialistas dizem que a língua que tem maior força social numa comunidade, tende a identificar, selecionar e atrair a língua que lhe é mais próxima. Nesse caso, a língua materna cabo-verdiana tem maior força social entre nós do que o português, mas como o português é língua que se lhe associa de forma sincrónica e lhe é mais próxima, ela identifica-a, atraindo-a e selecionando-a, como parceira na projeção da expressão linguistica do Cabo-verdiano. Uma alimenta a outra. Uma complementa a outra e vice-versa. Uma, naturalmente, facilita e sustenta a outra. Tal relação de aparente supremacia social do crioulo em relação a língua portuguesa, tende a negar/afirmar tão-somente o facto de a língua portuguesa não transportar a totalidade dos elementos da identidade nacional cabo-verdiana, embora aceitando, com naturalidade integrar a nossa condição de comunidade bilingue, utilizando em contraposição e de forma combinada a lingua materna e a nossa língua oficial - o português.
Os especialistas dizem que a língua que tem maior força social numa comunidade, tende a identificar, selecionar e atrair a língua que lhe é mais próxima. Nesse caso, a língua materna cabo-verdiana tem maior força social entre nós do que o português, mas como o português é língua que se lhe associa de forma sincrónica e lhe é mais próxima, ela identifica-a, atraindo-a e selecionando-a, como parceira na projeção da expressão linguistica do Cabo-verdiano. Uma alimenta a outra. Uma complementa a outra e vice-versa. Uma, naturalmente, facilita e sustenta a outra. Tal relação de aparente supremacia social do crioulo em relação a língua portuguesa, tende a negar/afirmar tão-somente o facto de a língua portuguesa não transportar a totalidade dos elementos da identidade nacional cabo-verdiana, embora aceitando, com naturalidade integrar a nossa condição de comunidade bilingue, utilizando em contraposição e de forma combinada a lingua materna e a nossa língua oficial - o português.
Bem-haja o dia 21 de Fevereiro - Dia da Lingua Materna.
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